Luzia – O primeiro crânio das Américas

Foi partir do legado de Peter Lund e na tentativa de retomar e aprofundar suas pesquisas, que no início dos anos 1970, em uma missão arqueológica franco-brasileira chefiada pela arqueóloga francesa Annette Laming-Emperaire, realizada na mesma Lapa Vermelha, localizada em Pedro Leopoldo, foi encontrado um crânio feminino até hoje considerado o mais antigo encontrado na América do Sul, com cerca de 11 500 anos, que posteriormente foi batizado por Luzia.

O fóssil de “Luzia”, como foi chamada a ossada da jovem encontrada nesse sítio, foi submetido ao teste Carbono 14, estimando-se sua idade. Pelas análises do cientista, ela morreu jovem, com cerca de 20 anos e há aproximadamente 11.500 anos.

A importância de Luzia para a comunidade científica, se deve a oportunidade que o professor Walter Neves teve ao entrar em contato, na Dinamarca, com os crânios que o naturalista dinamarquês Peter Lund coletou na região da APA Carste de Lagoa Santa ao longo do século XIX, semelhantes ao fóssil de Luzia. Walter Neves ficou surpreso ao examinar suas características morfológicas que tinham traços negroides, semelhantes aos das populações originárias da África e da Austrália.  Com esses estudos, criou-se uma nova tese sobre o roteiro usado para os povos primitivos chegarem à América:  pelo Estreito de Bering entre a Rússia e o  Alasca.

Quando Neves pôs as mãos no crânio, no início dos anos 1990, ele estava há mais de 20 anos nos arquivos do museu Nacional do Rio de Janeiro.

Em 4 de abril de 1998, Walter Neves, apresentou, a uma plateia de cientistas, as análises que havia realizado. A partir do modelo proposto por Neves, Luzia virou rapidamente uma celebridade internacional, principalmente após uma equipe da Universidade de Manchester, no Reino Unido, reconstituir suas possíveis feições, fazendo com que o rosto de Luzia, até então a primeira americana, estampasse as páginas de jornais e revistas do mundo todo.

O busto que reconstituía suas possíveis feições estava em exposição no Museu Nacional no Rio de Janeiro e o crânio ficava protegido, devido á sua fragilidade, em um laboratório de antropologia biológica, também no Museu, localizado em uma sala climatizada, onde ela ocupava uma caixa de ferro, dentro de um armário.

Após o incêndio que destruiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro em setembro de 2018, o crânio de Luzia foi encontrado dentro de um armário semidestruído com a caixa de ferro parcialmente derretida. O crânio foi encontrado em meio a muita emoção, fragmentado mas com pelo menos 80% dos fragmentos identificados. Atualmente, uma equipe de cientistas trabalha em sua reconstituição e nos traz grande esperança em seu futuro, para que após este trabalho, volte a expô-la e representar o passado do Brasil como as perspectivas de estudos constantes.