Filmes, paixão e resistência: conheça a história da última Videolocadora ainda aberta do Circuito das Grutas

Quem nasceu até o início dos anos 2000 sabe a importância que uma locadora de vídeo teve na vida da gente. Logo que chegava o fim de semana, ou mesmo à tarde, depois da aula, a diversão era ir até uma locadora de vídeo ficar passando as fitas VHS – e depois os DVD’s – nas prateleiras, lendo a sinopse de uma, de outra, até escolher a diversão do dia. Juntar a turma, escolher dois ou três filmes (quase sempre de terror), preparar uma pipoca e curtir madrugada a dentro.

O cinema sempre fascinou e fez/faz parte da história da maioria de nós. Mas, o tempo passou, chegaram os streamings e todos os filmes estão a um clique, na palma da mão. As locadoras fecharam e toda essa era de alugar filmes ficou só na lembrança.

Mas… não em Capim Branco. Circuitando por aí! a gente encontra uma locadora de vídeo em pleno funcionamento que é pura nostalgia e arte.

De propriedade do André Serra, que é morador de Capim Branco, historiador, professor e futuro museólogo, a Ômega Vídeo Locadora está abrigada no prédio que foi projetado e construído para ser o primeiro banco do município, o Banco Financial. A locadora é a última sobrevivente da região e André, fascinado por cinema, conta que a sua primeira empreitada para alugar filmes foi no ano de 1999, ainda adolescente, quando em parceria com um amigo, abriu as portas da locadora no dia 04 de setembro daquele ano com as fitas VHS.

Na ocasião, essa era a única locadora da cidade e ele relembra do sucesso que faziam os filmes de Suspense e Terror, das sacolas e sacolas de filmes que ele buscava em Belo Horizonte semanalmente e da grande clientela ávida por novidades a cada fim de semana.

Prestes a fazer 22 anos, a locadora acompanhou a chegada do DVD quando os mais locados foram Matrix e Homem Aranha.

Chegar na porta da locadora por si só já é uma experiência enriquecedora. “A placa de entrada faz homenagem a um filme de 1902 de George Miller – Viagem à Lua”, me explica André com aquele brilho no olho digno dos apaixonados. Aí, é se dar um tempo para pesquisar, ver e mergulhar em plena história. Fitas e DVD’s de terror, romance, aventura, ficção e tantos outros nos levam a uma viagem aos tempos da juventude e da história do cinema. Os cartazes estão por toda parte e estar lá dentro é voltar no tempo com aquela sensação gostosa de domingo à tarde.

A Videolocadora fica no Centro da cidade, logo ao lado da Igreja, naquela tranquilidade e sossego que a gente até se esquece que está só a 60 km da agitada capital de Minas Gerais.

Quando pergunto ao André se ainda existe quem alugue filmes, ele me responde que não tanto quanto antes, mas que algumas pessoas ainda passam por lá e levam alguns filmes para o fim de semana. “Mas aqui hoje funciona quase como um mini museu também. Um ponto de encontro…” Antes da pandemia, ele realizava a Noite do Vinil toda terça-feira em frente a locadora. “Era assim: você chegava, trazia seu vinil, colocava na vitrola, minha esposa sempre fazia uma comida, a gente vendia uma cerveja e pronto… íamos noite a dentro ouvindo boa música e boa prosa.”

Fã de rock e de carros antigos, André conta que várias vezes também convidava Bandas de Rock para tocar em frente a locadora e fazia alguns encontros de carros antigos.

Atualmente, a locadora fica aberta alguns dias da semana para visitação “E locação de filmes, porque não!?” em horários alternados porque o André divide seu tempo também nas aulas – agora virtuais – como professor de História e seu estágio como Museólogo. Para ajudar a continuar manter o espaço, a gente encontra de um, tudo lá. Camisetas com motivos de filmes ou de rock, meias, bala, chicletes, pirulitos, refrigerante, açaí, sorvete e cerveja.

Prá completar o clima nostálgico anos 80/90, lá, é possível jogar Fliperama. A máquina – outra estrela do lugar – está em pleno funcionamento e muito disputada com todos os jogos da década de 80 e 90.

Estando lá dentro, é possível perceber que, mais do que tudo isso, a gente encontra paixão, passado e por que não, futuro. André conta de alguns projetos que tem para transformar a Videolocadora em uma Videoteca Popular, fala sobre o desejo de exibir filmes na Praça logo em frente… Planos para o futuro para quando a pandemia passar.

Se você, assim como eu, é apaixonado e sente falta das vídeo locadoras, recomendo muito uma visita para relembrar os tempos antigos, apresentar para as crianças como víamos filmes há pouco tempo e mais que isso, bater um papo com o André sobre filmes, história e paixões de colecionador.

A gente da gente é assim: moderna e nostálgica, atenta e calma, serena e hospitaleira. Uma viagem de poucos quilômetros que, nos leva ali atrás e nos faz perceber que a arte, o cinema, as histórias e a preservação de nossa memória, acima de tudo, são uma forma de resistência.

Serviço:

Funcionamento: Segunda, terça e sexta: 13h às 19h30//Quarta e quinta: 17h às 19h30 //Sábado: 9h-12h / 14h-19h30

Telefone: 31 9 97039388 (André)

Endereço: Praça Joaquim Dias Magalhães, 20, Centro, Capim Branco

Por Narly Simões

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