Luzia – A primeira Brasileira foi encontrada no Circuito das Grutas

Na última semana, comemoramos o Dia de Luzia – 14 de junho – esse ano de forma virtual, dentro da programação da Semana Lund, realizada pelos municípios de Pedro Leopoldo e Lagoa Santa. Durante toda a Semana tivemos diversas apresentações, palestras e discussões onde falamos sobre o passado longínquo de mais de 11 mil anos, a descoberta na década de 70, a notoriedade na década de 90, o desastre e tão importante quanto, falamos muito sobre o futuro.

Passado, presente e futuro, reconhecimento e muita esperança, nos unem em torno de Luzia. Aguardamos passar o período da comemoração e de todas as atividades que a envolveram, para trazermos aqui, a quem não conseguiu acompanhar as discussões, algumas informações sobre “a primeira brasileira”, assim como os links de acesso às gravações das apresentações e discussões virtuais sobre Luzia, ocorridas na semana passada.

Os registros de ocupação humana encontrados em Pedro Leopoldo, na região do Circuito das Grutas, são os mais antigos da América. Em todo o município, existem mais de quinze sítios de valor arqueológico, espeleológico ou paleontológico, muitos sem nunca terem sido estudados, o que deixa em aberto o futuro dos estudos de boa parte da pré-história da região, que também é rica em pinturas rupestres. O mais promissor é o da Lapa Vermelha IV.

Foi partir do legado de Peter Lund e na tentativa de retomar e aprofundar suas pesquisas, que no início dos anos 1970, em uma missão arqueológica franco-brasileira chefiada pela arqueóloga francesa Annette Laming-Emperaire, realizada na mesma Lapa Vermelha, localizada em Pedro Leopoldo, foi encontrado um crânio feminino até hoje considerado o mais antigo encontrado na América do Sul, com cerca de 11 500 anos, que posteriormente foi batizado por Luzia.

O fóssil de “Luzia”, como foi chamada a ossada da jovem encontrada nesse sítio, foi submetido ao teste Carbono 14, estimando-se sua idade. Pelas análises do cientista, ela morreu jovem, com cerca de 20 anos e há aproximadamente 11.500 anos.

A importância de Luzia para a comunidade científica, se deve a oportunidade que o professor Walter Neves teve ao entrar em contato, na Dinamarca, com os crânios que o naturalista dinamarquês Peter Lund coletou na região da APA Carste de Lagoa Santa ao longo do século XIX, semelhantes ao fóssil de Luzia. Walter Neves ficou surpreso ao examinar suas características morfológicas que tinham traços negroides, semelhantes aos das populações originárias da África e da Austrália.  Com esses estudos, criou-se uma nova tese sobre o roteiro usado para os povos primitivos chegarem à América:  pelo Estreito de Bering entre a Rússia e o  Alasca.

Quando Neves pôs as mãos no crânio, no início dos anos 1990, ele estava há mais de 20 anos nos arquivos do museu Nacional do Rio de Janeiro.

Em 4 de abril de 1998, Walter Neves, apresentou, a uma plateia de cientistas, as análises que havia realizado. A partir do modelo proposto por Neves, Luzia virou rapidamente uma celebridade internacional, principalmente após uma equipe da Universidade de Manchester, no Reino Unido, reconstituir suas possíveis feições, fazendo com que o rosto de Luzia, até então a primeira americana, estampasse as páginas de jornais e revistas do mundo todo.

O busto que reconstituía suas possíveis feições estava em exposição no Museu Nacional no Rio de Janeiro e o crânio ficava protegido, devido á sua fragilidade, em um laboratório de antropologia biológica, também no Museu, localizado em uma sala climatizada, onde ela ocupava uma caixa de ferro, dentro de um armário.

Após o incêndio que destruiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro em setembro de 2018, o crânio de Luzia foi encontrado dentro de um armário semidestruído com a caixa de ferro parcialmente derretida. O crânio foi encontrado em meio a muita emoção, fragmentado mas com pelo menos 80% dos fragmentos identificados. Atualmente, uma equipe de cientistas trabalha em sua reconstituição e nos traz grande esperança em seu futuro, para que após este trabalho, volte a expô-la e representar o passado do Brasil como as perspectivas de estudos constantes.

Em Pedro Leopoldo, Circuitando por aí! é possível encontrar expostos na Secretaria de Cultura no prédio da Prefeitura, o busto e a réplica do crânio de Luzia, a primeira brasileira e mais antiga habitante das Américas!

  • Durante a pandemia a visitação não está acontecendo.

Clique nos links abaixo e faça essa viagem no tempo através dos registros da Prefeitura de Pedro Leopoldo. Conheça Luzia, seu passado, seu presente e as perspectivas de futuro!

Luzia, O fóssil mais antigo das Américas – Parte 1 – por Ricardo Serafim

Luzia, O fóssil mais antigo das Américas – Parte 2 – Por Ricardo Serafim

“Luzia Vive” e “Resistindo ao Fogo” com pesquisadores do Museu Nacional do Rio de Janeiro

Por Narly Simões

  • Agradecimentos a André Jordani, Turismólogo, Consultor, ex-Gerente de Turismo de Pedro Leopoldo pela indicação das fontes de pesquisa.
Fontes: